Defesa do Banco do Brasil público marca abertura do 36º CNFBB

17/06/2026

Banco do Brasil
Defesa do Banco do Brasil público marca abertura do 36º CNFBB

O 36º Congresso Nacional dos Funcionários e das Funcionárias do Banco do Brasil (CNFBB) foi aberto nesta quarta-feira, 17, com a leitura do manifesto "Tolerância zero para casos de violência e assédio", realizada pela coordenadora da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB (CEBB), Fernanda Lopes.

"A Contraf-CUT, federações e sindicatos presentes afirmam que todas as pessoas têm o direito de serem tratadas de forma digna, respeitosa e justa, a viver uma vida livre de violência e assédio, sem distinção de idade, gênero, sexo, orientação e identidade sexual, deficiência, religião ou origem étnica", destacou a dirigente durante a leitura.

Os delegados e as delegadas realizaram a votação do regimento interno do 36º CNFBB, que obteve aprovação de 98,92%.


Os problemas do sistema nacional

A primeira mesa de debates do 36º CNFBB, “Conjuntura e papel do BB como banco público”, contou com a participação do economista Jorge Gouvêia. O palestrante fez uma ampla análise sobre as instituições responsáveis pela regulamentação do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e a necessidade de discutir um novo modelo regulatório para um SFN a serviço do desenvolvimento econômico que favoreça toda a sociedade.

“Quando foi criado, o Conselho Monetário Nacional (CMN) contava com representantes de vários setores da sociedade. Mas isso foi até 1994. A Lei 9.069, que instituiu o Plano Real, redefiniu a composição do órgão, que passou a incluir somente o ministro da Fazenda, que exerce a presidência, o ministro do Planejamento e o presidente do Banco Central. Esse 'insulamento burocrático', que faz com que o CMN seja operado sem a participação ou controle social e com reduzido controle legislativo, permite que o sistema financeiro no Brasil permaneça oligopolizado, disfuncional e excludente, falhando em promover o desenvolvimento equilibrado do país ou servir aos interesses da coletividade, conforme previsto na Constituição", pontuou.

Gouvêia também apontou que o Banco Central acumula funções que podem gerar conflitos de interesse na regulação e fiscalização, na gestão da moeda — controle da inflação e das taxas de juros — e na gestão do câmbio. A autonomia concedida ao Banco Central representa um risco para à gestão fiscal do país, por permitir a manutenção de um sistema financeiro oligopolizado e disfuncional, que não atende plenamente aos interesses da coletividade. 


O Banco do Brasil e seu papel como banco público

Gouvêia identificou que, como sociedade de economia mista, o Banco do Brasil sofre uma tensão entre sua função social como empresa estatal e a busca pela geração de valor para os acionistas. Segundo o pesquisador, a partir de 2016, o BB passou a se definir como um 'Banco de Mercado com Espírito Público', priorizando a rentabilidade, a experiência do cliente e a transformação digital. E foi essa mudança estratégica que resultou na perda de mercado para bancos privados.

As consequências, destacou o economista, foram um banco que passou a atender cada vez mais aos interesses dos acionistas e menos aos interesses da população. Em 2025, o BB apresentou distribuição de lucros entre 40% e 45%, bem acima do mínimo obrigatório de 25%. Paralelamente a isso, houve redução na participação dos créditos voltados para micro e pequenas empresas e para a agricultura familiar (Pronaf). 
“Em dez anos, de junho de 2016 a março de 2026, a rede de agências no Brasil sofreu um corte significativo, passando de 5.428 para 3.942", destacou Gouvêia.”
O economista também ressaltou que, no mesmo período, houve redução de 24.996 postos de trabalho (-22,8%). "O número de clientes por funcionário subiu 83,7%, e o número de clientes por agência quase dobrou, com aumento de 95,3%. Houve uma elitização da clientela, focada em clientes com alta maturidade digital, transferindo os custos do serviço para o autoatendimento remoto", ponderou.

O palestrante relembrou que, na crise financeira de 2008, o BB exerceu com sucesso sua função pública, aumentando sua participação no mercado para compensar a retração de outras instituições e ampliando a oferta de crédito. Entre dezembro de 2007 e dezembro de 2010, a participação do BB na oferta de crédito no país subiu de 5,2% para 8,9% do PIB. Em 2012, o BB também se destacou por liderar a redução das taxas de juros por meio do programa "Bom para Todos".
 

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Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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