Campanha Nacional: movimento sindical avança em mesa por Igualdade de Oportunidades
16/07/2026
Notícias
Dados organizados pelo Dieese, que mostram um abismo salarial por gênero e raça na categoria bancária, foram apresentados à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) na terceira rodada de negociação da Campanha Nacional 2026. A mesa foi realizada nesta quinta-feira, 16, em São Paulo, e o Comando Nacional dos Bancários cobrou o fortalecimento de ações que combatam a desigualdade, que se intensifica em cargos mais altos.
“A luta desta mesa de negociações, por equidade de acesso, ascensão e remuneração para todos e todas no setor bancário é uma das várias frentes necessárias para o combate ao machismo e ao racismo estruturais”, explicou Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT e coordenadora do Comando.
A também coordenadora do Comando Nacional, Neiva Ribeiro, reforçou que a melhora nos índices de acesso, ascensão e remuneração de mulheres, negros e negras, PCDs e LGBTQIA+ na categoria está diretamente ligada à capacidade do setor de reavaliar os planos de ações à luz da realidade política e social posta no momento histórico.
Combate ao racismo
No 1º Censo da Diversidade, realizado em 2008, negros e negras compunham 19% do quadro de trabalhadores. O levantamento mais recente mostrou que agora o grupo responde por cerca de 33%. “Desde a conquista da mesa de Igualdade, avançamos nos níveis de participação de negras e negros no setor, mas o percentual é ainda insuficiente”, destacou o secretário de Combate ao Racismo da Contraf-CUT, Almir Aguiar.
Para mudar este cenário, a categoria reivindica:
- Que cada contratação de pessoas negras seja notificada pelos bancos à Contraf-CUT
- Protocolo nacional de combate ao racismo, para que os trabalhadores saibam como lidar com casos praticados por clientes
- Comissão de heteroidentificação: criação de comissões paritárias, capacitadas para validar a autodeclaração de candidatos negros e garantir a aplicação correta das políticas afirmativas
Avanços da mesa
Sobre o protocolo de combate ao racismo: bancos propuseram que as denúncias de racismo praticadas por clientes sejam encaminhadas aos canais, já existentes de combate ao assédio. Esses canais também passarão a atender casos de LGBTfobia.
Sobre assédio sexual: toparam incluir, na Convenção Coletiva, a definição dos comportamentos que caracterizam assédio sexual ou condutas inadequadas (importunação). Essa lista será explicativa e ajudará na formação do quadro de funcionários.
Escala 4x3: apesar de o tema ter sido abordado em mesas anteriores, sobre essa questão a Fenaban trouxe como devolutiva que não há espaço para avanços neste ano. Por outro lado, propôs trazer uma especialista que assessora a implementação da 4x3 em empresas brasileiras para aprofundar a discussão na mesa de negociação com o Comando Nacional.
Incentivo a mulheres nas finanças: a Fenaban propôs a contratação de cursos em finanças e encarreiramento, para formação e fortalecimento das mulheres no setor bancário.
Desenrola Bancário
O Comando Nacional apresentou dados do endividamento da categoria e reivindicou um “Desenrola Bancário”, além de isenção total de tarifas e redução das taxas de jutos para os bancários. A Fenaban ficou de estudar a reivindicação e trazer uma resposta em uma próxima mesa de negociações.
Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT