A Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da CAIXA rejeitou, nesta sexta-feira, 31, em São Paulo, a proposta apresentada pelo banco para a Promoção por Mérito dos anos-base 2026 e 2027. Para a CEE, o elevado número de requisitos e a inclusão do Alcance.Caixa dificultariam excessivamente a conquista dos deltas, sobretudo para quem trabalha na rede de agências e impediriam que o pagamento seja realizado em janeiro.
A discussão ocorreu durante a quarta reunião de negociações específicas da Campanha Nacional dos Bancários 2026. Além da Promoção por Mérito, a mesa tratou da remuneração variável, do Super Caixa, da PLR Social e do Saúde Caixa.
“A proposta apresentada pela CAIXA não considera as condições reais de trabalho. Para conquistar o primeiro delta, seriam necessárias dez ações. Para o segundo, o empregado precisaria completar outras dez e ainda depender do resultado do Alcance.Caixa. Na prática, o banco criaria uma série de obstáculos para impedir que grande parte do quadro avance na carreira”, afirmou a coordenadora da CEE/Caixa, Luiza Hansen.
Ao propor que o Alcance.Caixa seja um dos critérios, o próprio banco admite que o pagamento seria realizado apenas após a divulgação do balanço anual da empresa. No caso da progressão referente ao ano-base 2026, a CEE cobra que o pagamento seja efetuado em janeiro de 2027. Os deltas relativos a 2025 somente foram creditados em abril de 2026, reduzindo o efeito financeiro da progressão para os empregados.
Proposta dificulta acesso aos deltas
A CAIXA propôs uma sistemática válida por dois anos, considerada positiva pela representação dos empregados. Porém, para 2027, apesar de manter a estrutura do programa, o banco pretende divulgar as ações que integrarão cada bloco somente até o fim do primeiro trimestre daquele ano.
A proposta divide os requisitos dos empregados ativos em dois blocos: Saúde em Dia, formado por ações de capacitação, saúde e qualidade de vida; e Estratégia Caixa, composto por cursos vinculados ao planejamento estratégico do banco.
A CEE ressaltou que os empregados da rede de agências não possuem as mesmas condições dos trabalhadores das áreas-meio e da matriz para realizar uma grande quantidade de cursos durante o expediente. Mesmo o tempo de capacitação previsto no ACT não é assegurado em muitas unidades.
“Não existe igualdade de condições entre quem trabalha na matriz e quem está diariamente no atendimento. Nas agências, as empregadas e os empregados enfrentam filas, metas, falta de pessoal e sobrecarga. Criar uma extensa lista de cursos como requisito para o delta significa excluir justamente quem tem menos condições de realizá-los”, afirmou o representante da Fetrafi-MG, Clotário Cardoso.
A proposta prevê como impedimentos, entre outros pontos, menos de 180 dias de efetivo exercício no ano-base, estar na última referência salarial do PCS, penalidade de suspensão, registro de censura ética, reincidência de advertência nos últimos cinco anos, falta não justificada e contrato suspenso ou extinto.
A CAIXA informou que analisará as ponderações apresentadas e deverá elaborar uma segunda versão da proposta. Um avanço confirmado pelo banco foi a aceitação dos comprovantes de vacinação contra a gripe emitidos pelo SUS, por clínicas particulares ou pela própria campanha interna da CAIXA.
Super Caixa precisa ser negociado
Na discussão sobre renda variável, a CEE voltou a reivindicar que o Super Caixa e quaisquer outros programas que gerem renda para os empregados sejam negociados com a representação dos trabalhadores. A CEE defende o “vendeu, recebeu” e o pagamento de bônus para todos, e que a distinção feita pelo banco entre “remuneração” e “premiação” não elimina o impacto desses valores na renda e na organização financeira das famílias.
A representação cobrou transparência, acesso permanente às informações de desempenho e definição de todas as regras antes do início do período de apuração. Também exigiu que os critérios não sejam alterados durante o ciclo e que tenham o mesmo grau de complexidade para empregados da rede, das centralizadoras, das áreas-meio e da matriz. Outra reivindicação é a retirada dos índices de Negócios Sustentáveis (NS) e de satisfação dos clientes (CSAT) como redutores dos valores a serem pagos.
PLR Social
A CEE também cobrou o pagamento integral da PLR Social, reivindicando parcela equivalente a 6% do lucro líquido, distribuído linearmente, sem limite individual e sem compensação com a regra geral da PLR. A pauta inclui, ainda, a eliminação dos atuais limitadores, transparência na metodologia de cálculo, acompanhamento pelas entidades sindicais e mecanismos de governança paritária na definição e validação dos indicadores.
A CEE também cobrou em mesa o pagamento do 1% da PLR Social de 2020, que deixou de ser paga em 2021. O percentual a ser pago é de 4% e, na ocasião a CAIXA pagou apenas 3%.
A CAIXA respondeu que a reivindicação será debatida posteriormente.
Relatório do Saúde Caixa
Na segunda parte da reunião, a CAIXA antecipou para a CEE o Relatório de Administração do Saúde Caixa referente a 2025, que terá divulgação pública no dia 3 de agosto. A CEE observou que a concentração de despesas na faixa etária acima de 59 anos acompanha a própria composição da carteira e solicitou informações mais detalhadas sobre os custos por idade.
A representação voltou a defender a contratação de mais empregados, o que contribui para ampliar e rejuvenescer a base de participantes do plano. Além disso, cobrou informações detalhadas sobre os custos administrativos e investimentos em tecnologia que permitam aos usuários conferir procedimentos, autorizar atendimentos digitalmente e colaborar com o controle dos gastos.
Pendências das mesas anteriores
A CEE cobrou respostas sobre reivindicações já apresentadas, como teletrabalho, construção de novos PFG e PCS, problemas provocados pelo sistema Gênesys e pela fila do Move Brasil, processos seletivos internos, contratação de empregados e metas. O banco informou que os temas continuam em análise e que apresentará propostas quando os estudos internos estiverem concluídos.
Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT