Campanha Nacional: bancos se comprometem a apresentar proposta geral às reivindicações da categoria no dia 13
05/08/2026
Notícias
A sexta rodada de negociações da Campanha Nacional Unificada, realizada nesta terça-feira, 4, foi marcada por críticas da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) ao conjunto das cláusulas econômicas, da minuta de reivindicações da categoria bancária.
A Fenaban também sugeriu que a PLR não deveria ser reajustada, uma vez que os bancos possuem programas próprios de remuneração variável, apontando que o lucro do setor bancário está sofrendo com a escalada de concorrência com outros atores no sistema financeiro nacional.
O Comando Nacional das Bancárias e dos Bancários rebateu, deixando claro que a PLR não se relaciona com os programas próprios e que não abre mão da valorização da PLR. “Os programas próprios não podem substituir a PLR. Cada banco define seu programa próprio, o que tem a ver, em alguns casos, com a venda de produtos. São importantes, mas são complementares, e nem podem substituir ou serem usados para reduzir o valor da PLR”, destacou a coordenadora do Comando, Juvandia Moreira.
O movimento sindical registrou que, ainda que a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) preveja a possibilidade de distribuir até 15% do lucro líquido, os grandes bancos privados distribuem, em média, um percentual bem menor: 5,9%.
Quanto às críticas da Fenaban ao conjunto das cláusulas econômicas, o Comando rebateu que a minuta reflete as reivindicações de diversos segmentos do setor bancário. “Inclusive, a minuta é uma defesa contra o movimento, iniciado em meados da década da 1990, por vários setores, de redução da remuneração fixa (direta ou indireta), que vem sendo substituída pela remuneração variável que, no geral, é baseado em metas e pressão”, completou Juvandia Moreira, que também é presidenta da Contraf-CUT.
Após um pedido de pausa, a Fenaban retornou dizendo que irá apresentar, na próxima rodada, dia 13 de agosto, uma proposta geral para todas as reivindicações.
A massa salarial caiu, mas os lucros dos bancos aumentaram
Entre os principais pontos de reivindicação da categoria nas cláusulas econômicas estão o aumento real (reposição da inflação mais 5% de reajustes) nos salários e demais verbas; valorização da PLR; aumento maior para va/vr; adoção do salário mínimo necessário do Dieese (R$ 7.999,44) como piso da categoria; e criação de um piso para os profissionais da TI.
"A categoria vem sofrendo uma contínua perda de massa salarial, agravada pela redução dos postos de trabalho. Desde 2014, a massa salarial real dos bancários acumula queda de 17%, sendo que, apenas no último ano, a retração foi de 2%, evidenciando o impacto das demissões e da redução do emprego sobre a renda dos trabalhadores", reforçou Juvandia.
Dados sobre a realidade financeira dos bancos:
- Em 2025, juntos, os cinco maiores bancos lucraram R$ 124 bilhões.
- Considerando todo o setor, o lucro líquido registrado foi de R$ 171 bilhões.
- O patrimônio líquido do setor bancário atingiu, em 2025, R$ 1,2 trilhão.
Propostas para mulheres no setor
A reunião também contou com a participação de uma especialista convidada pela Fenaban. A consultora Carolina Cavenaghi, fundadora da Fin4She, iniciativa voltada à qualificação e ao fortalecimento da presença feminina no mercado financeiro, abordou propostas de desenvolvimento e recolocação profissional para mulheres no setor bancário.
“A proposta de um curso de formação, sobretudo quando acompanhada de construção e formação de uma rede de apoio entre as mulheres, é importante, mas isso não é o suficiente para mudanças estruturais. Nosso desejo é que a Fenaban, também, apresente um plano de ação que corresponda às nossas reivindicações por mais contratação, igualdade de oportunidade, ascensão na carreira e salários iguais entre homens e mulheres”, completou a também coordenadora do Comando Nacional, Neiva Ribeiro.
A seguir os principais dados de gênero nos bancos:
- Queda de participação: de 49,1% para menos de 47%, entre 2015 e 2025.
- Atualmente, em média, as mulheres bancárias ganham 18,4% a menos do que os homens.
- Se nada for feito e considerando o ritmo histórico e recente (entre 2016 e 2025) de evolução, levará 40 anos para as mulheres e homens ganharem igual o setor bancário.
- Em 2025, as mulheres ocupavam 47,7% dos cargos de liderança.
- Entretanto, a remuneração delas nesses postos de liderança é 26% inferior à dos homens em funções similares.
- Considerando o recorte racial, as pessoas negras (homens e mulheres) ocupavam 25,2% dos cargos de liderança, em 2025.
- As mulheres negras (pretas e pardas) ocupavam 9,7% dos cargos de liderança.
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Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT