Conferência Nacional dos Financiários debate prioridades da Campanha Nacional 2026
06/08/2026
Notícias
A Conferência Nacional dos Financiários começou nesta quarta-feira, 5, na sede da Contraf-CUT, em São Paulo. O primeiro dia foi dedicado aos debates sobre saúde, perfil da categoria e resultados da Consulta Nacional aos Financiários, que vão subsidiar a construção da pauta da Campanha Nacional 2026.
"Iniciamos mais uma Campanha Nacional dos Financiários em um momento importante para a categoria. A mudança da data-base inaugura um novo ciclo de negociações e reforça a necessidade de olharmos com atenção para a realidade desses trabalhadores. Temos uma secretaria do Ramo fortalecida, com uma dirigente que conhece de perto esse segmento e vai contribuir para aprofundarmos esse debate. A campanha é o momento de ouvir a categoria, transformar suas demandas em reivindicações e buscar avanços concretos na mesa de negociação”, afirmou Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT.
"Esta conferência é o espaço para construirmos coletivamente a pauta que queremos defender. Estamos falando de valorização, igualdade de oportunidades, melhores condições de trabalho, saúde, reconhecimento e direitos. Mas também precisamos compreender o cenário político e econômico, porque ele influencia diretamente a vida dos trabalhadores e o resultado das nossas negociações”, pontuou Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato de São Paulo.
"Estamos iniciando um novo ciclo para os financiários. A mudança da data-base foi uma conquista importante porque organiza melhor o processo de negociação e nos permite construir uma campanha mais conectada com a realidade da categoria. Nosso desafio é transformar as prioridades apontadas pelos trabalhadores em avanços concretos na Convenção Coletiva”, destacou Talita Regia da Silva, secretária de Organização do Ramo Financeiro da Contraf-CUT
"A campanha começa ouvindo os trabalhadores. Os dados apresentados mostram com clareza quais são as principais preocupações da categoria e apontam o caminho que devemos seguir nas negociações. Nosso compromisso é transformar esse diagnóstico em reivindicações concretas, que garantam valorização, melhores condições de trabalho e proteção à saúde dos financiários”, disse Jair Alves dos Santos, coordenador da Comissão Nacional dos Financiários.
Saúde, perfil da categoria e prioridades
Na discussão sobre saúde, o secretário de Saúde da Contraf-CUT, Mauro Salles Machado, relacionou o crescimento do adoecimento ao modelo de gestão das financeiras, marcado por pressão comercial, metas agressivas, monitoramento constante e equipes enxutas. Entre 2012 e 2024, foram concedidos 1.966 benefícios previdenciários e acidentários à categoria, com crescimento dos afastamentos relacionados à saúde mental.
"A discussão sobre saúde mental precisa deixar de ser uma pauta de bem-estar para se tornar uma pauta de organização do trabalho. Sem mudanças nas metas, na cobrança e nas condições de trabalho, não existe prevenção, apenas gestão do adoecimento”, explicou Mauro Salles.
Dados apresentados pelo Dieese mostram que a categoria chegou a 12.077 trabalhadores em 2025. As mulheres são 53% da força de trabalho, mas recebem, em média, 26,1% menos que os homens. As dez maiores financeiras registraram lucro líquido de R$ 17,2 bilhões no ano.
A Consulta Nacional aos Financiários reuniu 601 trabalhadores, participação mais de 230% superior à de 2024. As principais prioridades econômicas são aumento real dos salários (73,5%), aumento da PLR (64,7%) e reajuste diferenciado dos vales alimentação e refeição (63,7%). A estabilidade no emprego lidera as prioridades sociais.
A pesquisa também reforça o impacto das metas sobre a saúde: 49,4% relataram cansaço, fadiga e preocupação constante, 23% crises de ansiedade e pânico e 30% afirmaram ter utilizado medicamentos controlados nos últimos 12 meses.
Fonte; Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT