Igualdade de Oportunidades: bancárias avançam em pacto com bancos pelo fim da violência de gênero

03/03/2026

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Igualdade de Oportunidades: bancárias avançam em pacto com bancos pelo fim da violência de gênero

O Comando Nacional dos Bancários realizou mais uma rodada da mesa “Igualdade da Mulher Bancária e de Igualdade de Oportunidades” com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) nesta segunda-feira, 2, em Brasília. Foram tratados temas ligados à implementação de conquistas da categoria pelo fim da violência de gênero e por justiça de entrada e ascensão no setor.

Pacto pelo fim da violência

A categoria bancária é pioneira na implementação de medidas, instituídas em forma de cláusulas na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que combatem a violência contra a mulher dentro dos bancos e na sociedade em geral. A conquista mais recente é da Campanha Nacional de 2024, que estabeleceu que os bancos criem canais para acolher funcionárias vítimas de violência doméstica e concedam apoio para protege-las de seus agressores.

Até o final de 2025, segundo a Fenaban, todos os bancos já haviam implementado seus canais. A entidade afirmou que está em fase final de relatório, que será apresentado aos trabalhadores nos próximos dias, com os números atualizados de atendimentos e como os casos foram encaminhados.

“Há anos, o movimento sindical bancário se debruça sobre este tema, o que nos levou a conquistar essas cláusulas que hoje são referências para outras categoriais e também para a sociedade”, destacou a coordenadora do Comando Nacional e presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira. “Precisamos, mais do que nunca, de todas as vozes, e isso inclui o engajamento dos homens, para proteger mulheres e crianças. As mudanças para um mundo melhor só acontecerão com medidas concretas e envolvimento de todos e todas”, completou.

As bancárias usaram a oportunidade do encontro para reforçar, junto aos bancos, um pacto de combate à violência contra a mulher, pediram aprimoramento dos canais de denúncias e apresentaram casos em que ele não funcionaram devidamente, como no apoio às bancárias que solicitaram transferência de unidade e mudanças de regime de horário. “Inclusive tivemos demissões de mulheres que precisavam de proteção. Então, precisamos que os bancos sejam efetivos no cumprimento dessas cláusulas, uma vez que cada atendimento é uma vida que está em jogo”, explicou a secretária da Mulher da Contraf-CUT, Fernanda Lopes.

Categoria apresenta números do “Basta!”

O movimento sindical apresentou o relatório mais recente do programa de assessoria jurídica e humanizada às mulheres vítimas de violência doméstica “Basta! Não irão nos calar!”.

  • 14 canais de atendimento (e mais 1 em implantação) em sindicatos localizados em todas as regiões do país
  • 542 atendimentos, sendo 540 de mulheres vítimas de violência física, psicológica, patrimonial, moral e sexual
  • 121 atendimentos sem ações judiciais
  • 518 ações judiciais
  • 313 medidas protetivas vigentes
  • 194 ações relacionadas ao direito de família sendo 116 concluídas

4º Censo da Diversidade

Outra conquista da categoria bancária na última Campanha Nacional foi o 4º Censo da Diversidade realizado em 2025. Os resultados foram apresentados pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert) na reunião desta segunda. Participaram mais de 93 mil bancários e bancárias de 35 bancos. "Ter o retrato da categoria é fundamental para direcionar as negociações e as ações sindicais”, destacou a secretária de Políticas Públicas da Contraf-CUT, Elaine Cutis.

O setor permanece majoritariamente masculino, com maior redução entre mulheres brancas. Porém, ocorreu um importante avanço no aumento de pessoas negras. No 1º Censo da Diversidade, realizado em 2008, negros e negras compunham 19% do quadro de trabalhadores. O levantamento mais recente mostrou que, agora, o grupo responde por cerca de 33%.

A categoria bancária avalia que essa expansão de negros e negras foi resposta a reivindicação para que os bancos passassem a fazer anúncios de vagas, massivamente pela internet. “Percebemos que pessoas brancas acessavam as vagas por indicação, enquanto os negros e negras, a partir de anúncios feitos pela internet ou por editais. Então, passamos a exigir que os bancos melhorassem a comunicação das vagas para ampliar as oportunidades de acesso ao setor”, explicou Juvandia Moreira.

Mais Mulheres na TI

O programa “Mais Mulheres na TI” é fruto da reivindicação da categoria bancária contra a forte redução da participação de mulheres no setor bancário. O fenômeno foi intensificado pelo avanço tecnológico, uma vez que, tradicionalmente, as áreas de tecnologia da informação são ocupadas por homens. Só em 2025, o setor bancário eliminou 8,9 mil postos, sendo 63% (5,6 mil) que eram ocupados por mulheres. Entre 2020 e 2025, dos 23,9 mil postos de trabalho fechados pelos bancos, 87% (20,6 mil) eram ocupados por mulheres.

Para enfrentar o problema, em 2024, a categoria fechou um acordo para que os bancos concedessem bolsas para a capacitação de mulheres, sendo 3.000 voltadas à iniciação na área e 100 para o desenvolvimento de carreira. Na mesa desta segunda, representantes de duas escolas contratadas, Programaria e Laboratória, apresentaram o balanço do que já foi feito.

Programaria:

  • 20 mil mulheres se inscreveram para concorrer às bolsas
  • 2.500 bolsas já foram concedidas
  • 500 estão abertas para este mês de março
  • Do total de mulheres contempladas, 60% são negras e indígenas; 29% mães e responsáveis legais; 34% de fora do eixo Sul-Sudeste; 6,3% pessoas trans; e 36% são da comunidade LGBTQIA+.

Laboratória:

  • 101 mulheres contempladas
  • 30% de empregabilidade pós programa, sendo 40% nos setores bancário e financeiro

“O Mais Mulheres na TI é mais um passo da categoria rumo à igualdade, porque mostra às mulheres que elas podem chegar onde quiserem, desde que tenham oportunidade e amparo social. O elevado número de inscrições aponta que temos, sim, uma demanda reprimida, de mulheres que querem ter acesso a esse mercado de trabalho. Então, que a gente consiga nesta mesa de negociação avançar ainda mais para que todas as 20 mil sejam contempladas”, destacou Neiva Ribeiro, também coordenadora do Comando Nacional e presidenta do Sindicato de São Paulo, Osasco e Região.

Comitê de gestão de crise

A pedido do Comando Nacional, ficou acordado uma nova rodada de negociação, nesta quarta-feira, 4, para avaliar a atuação dos bancos nos Comitês de Gestão de Crise, outra conquista da CCT 2024-2026, para acelerar ações de proteção e apoio aos trabalhadores de locais atingidos por calamidades.

No início da reunião, Juvandia Moreira solicitou um minuto de silêncio por Liana Martins de Paula, bancária da CAIXA, e uma das mais de 70 vítimas fatais dos desastres que atingiram a região da Zona da Mata mineira.

 

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

 

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