Fiscalização e regulação fracas levam a fraudes e insegurança no setor financeiro

12/03/2026

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Fiscalização e regulação fracas levam a fraudes e insegurança no setor financeiro

Por Ramon Peres, presidente do Sindicato

 

O caso do Banco Master, que vem repercutindo na imprensa nos últimos meses, é um exemplo cristalino de como uma regulação frouxa leva a fraudes no sistema financeiro nacional. Seja por interesses políticos ou pela crença de que a liberdade de mercado deve permitir quase tudo, o que se viu foram negócios espúrios e fragilidade na fiscalização, que culminaram em prejuízos bilionários e na liquidação do Master em novembro de 2025.

Outro caso emblemático, e que ganhou a capa dos jornais em agosto de 2025, foi a descoberta de que o PCC se utilizava de fintechs para operar dinheiro ilícito. Isto só foi possível devido ao tratamento diferenciado dado pela legislação brasileira a estas empresas, que operam como bancos mas não estão submetidas à mesma rigidez regulatória. Após a repercussão do caso, o governo Lula anunciou, de imediato, que a Receita Federal passaria a enquadrar as fintechs como instituições financeiras, tendo que cumprir as mesmas regras que grandes bancos.

Foi durante a gestão de Campos Neto à frente do Banco Central que explodiu o número de autorizações para a operação de fintechs no Brasil, com regulações mais frouxas que as dos bancos. O número saltou de 34 para 258 entre 2019 e 2024. A situação ganhou, também, contornos de conflito de interesses quando Campos Neto assumiu cargos altos no Nubank logo após o fim da quarentena pelo fim do mandato.

Tratando da regulação do sistema financeiro, também não podemos deixar de citar a situação do Santander. Por meio da transferência de funcionários, o banco retira direitos de trabalhadores e coloca dados de clientes nas mãos de terceirizados, colocando em risco estas informações e pessoas. Mais uma vez, fica exposta a fragilidade da fiscalização do Banco Central.

O movimento sindical atua, em diversas frentes, por mais segurança no setor financeiro. Em 2025, participei de uma delegação da Contraf-CUT que se reuniu com o atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, para denunciar os perigos a que o país e toda a sociedade estão expostos. Em Belo Horizonte, o Sindicato também se reuniu com representantes do Banco Central e cobrou fiscalização e ação contra as terceirizações no Santander. Porém, não tivemos respostas à altura da urgência necessária.

Continuamos lutando por uma regulamentação do sistema financeiro que traga mais segurança às transações financeiras, trate todas as empresas que atuam como bancos com os mesmos critérios, proteja trabalhadores e clientes, assim como a soberania nacional.

 

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