Número de greves cresce 14% no Brasil puxado por setor privado e empresas estatais
23/04/2026
Notícias
Em 2025, o Brasil registrou 1.006 greves, com alta de 14% em relação ao ano anterior. O avanço se deu, especialmente, no setor privado e nas empresas estatais, enquanto o número ficou praticamente estável no funcionalismo público. O balanço foi realizado e publicado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Na esfera privada, foram 539 greves, o equivalente a 53,6% do total registrado. O estudo mostrou, também, que 86,8% das greves no setor privado tiveram caráter defensivo, com reivindicações ligadas ao descumprimento de direitos, como atrasos em salários. Do total nacional de greves, 35% reivindicaram reajuste salarial e 24% pediam melhores condições de trabalho.
É interessante observar que o crescimento das greves ocorreu em um contexto de melhora de indicadores econômicos. Em 2025, a taxa média de desocupação caiu para 5,6%, o menor patamar da série histórica iniciada em 2012. No mesmo período, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,3%, depois de ter avançado 3,4% no ano anterior.
“Se a economia vai bem e as empresas estão crescendo, trabalhadoras e trabalhadores também querem a sua parte. Isto significa não apenas aumento real nos salários, mas condições dignas de trabalho, sem exploração ou adoecimento. É o caso do fim da escala 6x1, por exemplo, para trazer mais dignidade à população. Não é possível que as margens de lucro cresçam e quem se esforça todos os dias seja desvalorizado ou não tenha vida além do trabalho”, destacou Ramon Peres, presidente do Sindicato.
O aumento das mobilizações, porém, não se traduziu em paralisações mais longas. Em 2025, o total de horas paradas caiu 10%, de 36,7 mil para 33,1 mil. No conjunto do país, 59,4% das greves terminaram no mesmo dia em que começaram, e 43,5% adotaram a tática de advertência.
Veja, aqui, o estudo do Dieese na íntegra.
Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Dieese e CUT Nacional