Em mesa, CEE denuncia desvalorização dos empregados e cobra respostas da CAIXA

Em mesa, CEE denuncia desvalorização dos empregados e cobra respostas da CAIXA

A mesa de negociação entre a Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) e a direção da CAIXA, realizada em 30 de abril, foi marcada por críticas contundentes à forma como o banco vem conduzindo mudanças no atendimento, que desrespeitam empregados. A representação dos trabalhadores denunciou a desvalorização crescente dos trabalhadores e cobrou respostas para problemas que vêm se acumulando: sobrecarga, falta de pessoal, mudanças estruturais implementadas sem negociação prévia, adoecimento mental e um modelo de remuneração variável com regras sem transparência.

A comissão cobrou debate sobre o SuperCaixa, que precisa de regras transparentes e justas. Segundo a CEE, o tema será levado ao Comando Nacional dos Bancários, que avaliará todas as possibilidades cabíveis para atuar frente aos problemas relacionados ao programa.

Entre os pontos criticados também estão a implantação das plataformas de atendimento à Pessoa Jurídica (PJ), a migração de carteiras, as mudanças nas unidades e a combinação entre atendimento presencial e digital, que vêm alterando profundamente a rotina dos trabalhadores sem que haja planejamento adequado, treinamento suficiente ou diálogo.

Figital - O modelo “Figital”, que combina atendimento físico e digital, também foi criticado. Segundo relatos levados à mesa, empregados vêm sendo obrigados a atender simultaneamente clientes de forma presencial e virtual, sob cobrança intensa por desempenho e entregas à unidade para que o tempo de espera no canal digital ultrapasse cinco minutos. “É um modelo que tem aprofundado a sobrecarga, aumentado o desgaste emocional e agravado o sentimento de insatisfação entre os empregados”, avaliou o coordenador da CEE/Caixa, Felipe Pacheco.

Gênesis - Um dos pontos de discussão foi a adoção de penalidades em 129 agências incluídas no projeto piloto do Gênesis. Para a CEE, não faz sentido que unidades sejam submetidas a metas rígidas e punições antes mesmo da consolidação de um modelo definitivo.

Plataformas PJ - Também houve críticas à implementação das plataformas PJ sem negociação prévia, com precariedade nas condições de trabalho, insuficiência de pessoal, ausência de treinamento adequado e pressão constante por metas. Segundo os representantes, trabalhadores que sempre atuaram no atendimento à Pessoa Física estão sendo empurrados para novas atribuições, muitas vezes sem preparação e sem a estrutura necessária para absorver a demanda. “A CAIXA diz que está preocupada com a questão da saúde mental dos empregados, mas está fabricando pessoas doentes, além de descumprir o Acordo Coletivo. É isso que está acontecendo com essa plataforma PJ”, afirmou Cardoso.

Caixas e tesoureiros - Outro ponto fortemente debatido foi a situação de caixas e tesoureiros, tema que se arrasta há meses sem solução definitiva. A representação cobrou resposta concreta sobre o futuro dessas funções. A principal preocupação é garantir que nenhum trabalhador tenha perda de renda em razão da reestruturação.

Adoecimento - O avanço do adoecimento mental entre bancários também ganhou destaque. Felipe Pacheco citou pesquisa da Fenae que revela um cenário alarmante: 32% dos empregados afirmam viver sob ameaça permanente de descomissionamento, percentual que sobe para 45% entre trabalhadores de 40 a 49 anos. O levantamento mostra ainda que 37% já receberam diagnóstico de problemas de saúde mental relacionados ao trabalho, enquanto 61% dizem não perceber apoio adequado da empresa à saúde mental.

Respostas do banco - A CAIXA informou que está avaliando reivindicações relacionadas ao SuperCaixa, que pretende aperfeiçoar seus modelos de atendimento e gestão e que continua estudando alternativas para caixas e tesoureiros. Para a representação dos empregados, no entanto, as respostas seguem insuficientes.

Saúde Caixa -  A CEE cobrou uma mesa específica para discutir o Saúde Caixa. A representação reforçou pautas já conhecidas dos empregados, como a retirada do teto de custeio de 6,5% e a volta do modelo em que a CAIXA efetivamente arque com 70% dos custos do plano, melhorias nos processos de credenciamento e descredenciamento, além da ampliação da rede de atendimento, incluindo a possibilidade de compartilhamento da rede credenciada com a Cassi. Uma nova mesa de negociação sobre o plano de saúde será realizada no fim de maio.

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

 

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