Sindicato discute com o Bradesco condições de trabalho e saúde dos trabalhadores das plataformas
19/05/2026
Bradesco
Após o recebimento de várias denúncias de bancárias e bancários, o Sindicato se reuniu, nesta segunda-feira, 18 de maio, com a direção das duas plataformas digitais do Bradesco localizadas na rua da Bahia, no centro de Belo Horizonte.
O Sindicato foi representado pelos diretores Wander Garcia e Carlos Augusto Vasconcelos (Mosca) na reunião com as gerentes das plataformas Luciana Paes e Isabela Goddard, e com a Gerente Regional Digital, Flavia Ferreira. Na pauta, foram abordadas questões relacionadas ao sistema de telefonia do banco (WPE) e os problemas de afastamentos e saúde dos funcionários das plataformas.
Sistema de telefonia
O sistema de telefonia (WPE) se apresenta inoperante e, segundo relatos, a cada dez tentativas de contato apenas uma é efetivada. Os números da central são automaticamente bloqueados pelo spam, pelos clientes ou operadoras.
Ao serem questionadas, as representantes do Bradesco afirmaram que o sistema é uma forma de proteção para os funcionários e o próprio banco. O sistema opera da seguinte forma: quando funcionários ligam para clientes, as ligações são gravadas e registradas, para que dessa forma possam ser verificados, se necessário, possíveis erros no atendimento. Segundo o Bradesco, o sistema é necessário para resguardar bancários de reclamações infundadas e para proteger o cliente em possíveis reivindicações.
Após as cobranças, o Sindicato foi informado de que o banco colocou em fase de teste uma melhoria no sistema, que deve ser utilizada ainda no primeiro semestre de 2026, ou na virada para o segundo. A readequação do sistema, de acordo com o Bradesco, permitirá que funcionários utilizem o WhatsApp em caso de falha de contato por ligação. Ainda conforme o banco, a mudança permitirá a redução nas ocorrências de spam.
Saúde da categoria
O Sindicato questionou o banco sobre o grande número de afastamentos de funcionários por questões de saúde mental e o uso de medicação tarja preta por parte de trabalhadores das plataformas. Quanto a esta questão, o Bradesco afirmou que tem oferecido suporte a funcionárias e funcionários em tratamento.
A representação da categoria alertou que, em muitos casos, bancários tendem a ficar intimidados pela forma como este suporte é oferecido, com muitos questionamentos aos trabalhadores. A entidade deixou claro para o banco que essa abordagem não deve ser utilizada e que a prática é danosa para a saúde do trabalhador.
Além disso, o Sindicato ressaltou que a própria Fenaban já concordou em debater com a categoria sobre os impactos do trabalho sobre a saúde mental e física de bancárias e bancários. Veja, aqui, a última reunião com os bancos sobre o tema.