Metas abusivas e pressão constante: o adoecimento silencioso dos bancários

29/05/2026

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Metas abusivas e pressão constante: o adoecimento silencioso dos bancários

Por Ramon Peres, presidente do Sindicato

Os bancos seguem anunciando lucros bilionários. Mas, por trás dos números, cresce também outra realidade dentro das agências e departamentos: o adoecimento mental da categoria bancária. Ansiedade, depressão, crises de pânico, insônia e esgotamento emocional já fazem parte da rotina de milhares de trabalhadores do setor financeiro. E isso não acontece por acaso.

Estudos da CUT e da OIT sobre riscos psicossociais no trabalho, problemas como pressão excessiva, metas inalcançáveis, assédio moral, sobrecarga e insegurança profissional estão diretamente ligados ao aumento dos transtornos mentais entre trabalhadores.

No sistema financeiro, a categoria conhece bem essa realidade. A cobrança permanente por resultados, os rankings de desempenho, o medo de não bater metas, a redução de equipes e o acúmulo de funções criam um ambiente de pressão contínua. Em muitos casos, o bancário passa o dia inteiro sendo monitorado, cobrado e comparado.

E o pior: muitos trabalhadores já adoecidos continuam trabalhando por medo de perder o emprego ou sofrer perseguição interna. Isso não é normal.

O chamado risco psicossocial acontece, justamente, quando a organização do trabalho deixa de respeitar os limites humanos e transforma o trabalhador em uma máquina de produtividade. O problema não está na “falta de resistência” do bancário, como muitos gestores tentam fazer parecer. O problema está no modelo de gestão imposto pelos bancos.

O assédio moral institucional também faz parte desse processo. Quando a empresa cria uma cultura baseada em pressão, humilhação e medo para aumentar produtividade, o adoecimento deixa de ser um caso isolado e passa a ser consequência direta da política de gestão.

O Sindicato dos Bancários de BH e Região acompanha diariamente relatos de trabalhadores emocionalmente esgotados, afastados pelo INSS ou dependentes de medicamentos para suportar a rotina de trabalho. Enquanto isso, os bancos seguem reduzindo postos de trabalho, aumentando metas e transferindo toda a pressão para quem permanece nas agências e plataformas digitais.

A saúde mental da categoria precisa ser tratada como prioridade. É fundamental combater metas abusivas, fortalecer políticas de prevenção ao adoecimento, ampliar os canais de denúncia contra assédio moral e garantir condições dignas de trabalho.

Seguimos ao lado dos bancários e bancárias nessa luta. Porque nenhum resultado, nenhuma meta e nenhum lucro podem valer mais do que a saúde e a vida dos trabalhadores.

 

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