COE Itaú cobra transparência, proteção aos trabalhadores e avanços na negociação com o banco
30/09/2026
Itaú
A Comissão de Organização dos Empregados (COE) Itaú se reuniu nesta terça-feira, 29, com a direção do banco para dar continuidade às negociações da pauta específica de reivindicações entregue em 1º de julho. Entre as principais pautas, estiveram o fechamento de agências e a realocação de trabalhadores, a reestruturação do Segmento Empresas, a cobrança de metas, o plano de saúde, as certificações ANBIMA, a Fundação Itaú/Franprev e a renovação do Acordo Macro.
Para a coordenadora da COE Itaú, Valeska Pincovai, o processo de transformação pelo qual passa o banco reforça a necessidade de garantir proteção aos trabalhadores, transparência nos processos e participação humana nas decisões que impactam a vida profissional dos bancários. “O Itaú está passando por um processo muito agressivo de transformação e reestruturação. Por isso, é fundamental que o banco amplie o programa de indenização para todo o Varejo e também para as Agências Digitais. Não podemos aceitar que trabalhadores sejam prejudicados simplesmente porque uma unidade foi fechada. É preciso garantir alternativas, realocação e proteção para quem construiu sua trajetória dentro do banco”.
Fechamento de agências e programa de requalificação e indenização
A COE reivindicou o fim das demissões decorrentes do encerramento de unidades e a realocação de todos os trabalhadores envolvidos. O banco informou que 11 trabalhadores estão incluídos no Programa de Requalificação e Indenização previsto na nova Convenção Coletiva, para bancários oriundos de agências que encerraram suas atividades. Segundo o Itaú, demais trabalhadores foram realocados.
A COE reivindicou a ampliação do programa para todo o Varejo e também para as Agências Digitais. Entre os pontos apresentados, estão a inclusão de trabalhadores que pedirem demissão em razão do encerramento da agência, a ampliação do prazo de 90 para 180 dias e a extensão do direito aos trabalhadores das unidades que recebem aqueles oriundos de agências fechadas.
Reestruturação do Segmento Empresas e cobrança de metas
A COE também apresentou as preocupações dos trabalhadores com a reestruturação do Segmento Empresas, especialmente em relação às regras de remuneração variável, à definição e cobrança de metas e aos critérios de avaliação. A reivindicação é por critérios objetivos e transparentes para definição, acompanhamento e avaliação das metas; objetivos previamente informados, factíveis e compatíveis com o porte das carteiras; proibição de alterações unilaterais durante o ciclo; transparência na classificação dos trabalhadores e regras claras para o uso do WhatsApp e de outras ferramentas de comunicação.
O banco informou que o responsável pela área de Remuneração Variável do Segmento Empresas participará da próxima reunião para esclarecer a metodologia de definição e avaliação das metas. Sobre diferenças salariais entre trabalhadores que exercem funções semelhantes, o Itaú informou que incorporou remunerações variáveis de trabalhadores que recebiam valores médios e atribuiu outra parte das diferenças ao porte das carteiras.
COE cobra dados sobre turnover
A COE cobrou os dados de turnover, que haviam sido solicitados para esta reunião. As informações deveriam contemplar números de trabalhadores admitidos e demitidos, além dos desligamentos relacionados aos processos de encerramento de agências. Os dados, porém, não foram apresentados pelo banco.
Renovação do Acordo Macro e monitoramento do trabalho
Sobre o Acordo Macro, a COE solicitou um quadro atualizado do Banco de Horas, com informações necessárias para o acompanhamento do tema. Outro ponto de destaque foi a Gestão e Ética na fiscalização do trabalho. A COE questionou as ferramentas utilizadas pelo banco para monitorar e medir a atividade dos funcionários e reivindicou maior transparência sobre os mecanismos empregados.
Banco dos Aposentados, Banco Agro e PABs
O Itaú apresentou informações sobre a expansão do chamado Banco dos Aposentados. Atualmente, são 19 agências, com expectativa de chegar a aproximadamente 500 unidades. Segundo o banco, a estrutura de cargos permanece nos moldes atuais, enquanto o layout das unidades ainda está em estudo. Também foi apresentado o modelo do Banco Agro, que atualmente conta com 72 espaços, seguindo o formato de escritório.
Sobre o Banco do Servidor, formado pelos PABs instalados em repartições públicas, o Itaú informou que as unidades passarão a combinar atendimento físico e digital, em um modelo híbrido. Os PABs Empresas também seguirão o formato phygital.
Certificações ANBIMA
A COE apresentou questionamentos sobre a renovação e atualização das certificações da ANBIMA, especialmente em relação aos custos necessários para a conclusão dos processos e às dúvidas sobre a nova certificação CPRO-R, inclusive para trabalhadores licenciados. O banco informou que apresentará aos sindicatos um passo a passo atualizado para renovação e obtenção das certificações e também produzirá um comunicado para orientar os bancários sobre os procedimentos.
Plano de saúde: COE cobra retomada do debate
A COE solicitou a reabertura das discussões sobre o plano de saúde. Em relação aos aposentados, o banco informou que, em seu entendimento, não há mais espaço para negociação, sob a alegação de que o tema já teria sido esgotado nas mesas de negociação e posteriormente encaminhado para ações judiciais e audiências públicas. A posição foi duramente criticada pela COE.
Sobre o plano de saúde da ativa, a COE questionou os critérios de cobrança de coparticipação, considerados abusivos. O banco apresentou entendimento diferente e ficou de levar à próxima reunião informações sobre o modelo atualmente utilizado e os critérios de cobrança.
Fundação Itaú/Franprev
A COE solicitou ainda a abertura de uma discussão específica sobre o Plano da Fundação Itaú/Franprev. Os representantes dos trabalhadores informaram que apresentarão ao banco uma pauta específica para que o tema seja debatido em uma próxima reunião.
Próxima reunião
A próxima rodada de negociação entre a COE Itaú e a direção do banco está marcada para 7 de outubro de 2026. Entre os principais temas previstos, estão a renovação do Acordo Macro e a indenização aos trabalhadores envolvidos nos processos de encerramento de agências.
Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT