1º Seminário de Mulheres da Fetrafi-MG chama atenção para o combate à violência e à desigualdade de gênero

11/03/2026

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1º Seminário de Mulheres da Fetrafi-MG chama atenção para o combate à violência e à desigualdade de gênero

O 1º Seminário de Mulheres da Fetrafi-MG foi realizado nesta quarta-feira, 11 de março, em Belo Horizonte, com a participação de bancárias e bancários de todo o estado. No evento, palestrantes trataram do combate ao machismo, à misoginia e à violência contra a mulher, assim como do atual cenário no mercado de trabalho.

A advogada de mulheres Raquel Fernandes explicou que o patriarcado é um sistema social construído em torno dos homens, concedendo direitos e benefícios a eles em detrimento das mulheres. “E o machismo é a prática verbalizada ou por atitudes que confirma a estrutura social do patriarcado. Já a misoginia é a cultura de odiar mulheres”, afirmou.

Durante a palestra, Raquel citou diversos casos de violência contra as mulheres, tratou do uso de medidas protetivas e ressaltou que a educação é a base para construir uma sociedade mais justa. “Nós, mulheres, temos que nos posicionar, é preciso ensinar nossas filhas a se posicionarem, educar as crianças. Quando você educa sua filha a ser uma mulher empoderada, que tem as rédeas da própria vida, ela vai se defender desde pequena”, disse.

Igualdade de oportunidades

O presidente do Sindicato, Ramon Peres, apresentou dados do mercado de trabalho que mostram que persiste a desigualdade de gênero no Brasil. Em média, o rendimento das mulheres, em todas as categorias, é 21% menor que o dos homens. Já as bancárias ganham, em média, 18,6% menos que os homens bancários.

Ramon tratou da Lei de Igualdade Salarial, que entrou em vigor em 2023 e obriga empresas com mais de 100 funcionários a divulgarem um Relatório de Transparência Salarial. Porém, a legislação precisa ser aplicada com mais rigor, já que nenhuma empresa foi multada pelo descumprimento em dois anos. “O mundo empresarial esconde dados, seja por medo ou vergonha do que o relatório irá apontar, porque estão fazendo algo errado”, comentou.

O presidente do Sindicato falou, ainda, sobre a cultura organizacional em empresas, e também no movimento sindical, que é prejudicial às mulheres. “A cultura organizacional é um conjunto de valores, crenças, normas e rituais compartilhados que dão identidade a uma empresa ou organização. E eu questiono: hoje, nossas normas, rituais e valores incluem ou excluem as mulheres? Posso dizer que excluem. E nós somos os responsáveis por mudar essa cultura, por mais difícil que seja”, destacou.

Violência contra a mulher e adoecimento mental

Na última mesa do Seminário, a psicóloga Taciara Scarton apontou exemplos do sexismo no dia a dia, com falas e atitudes que desmerecem ou diminuem as mulheres. Ela apontou que o machismo e a misoginia geram consequências graves na vida de mulheres, incluindo a prática do assédio moral ou sexual no ambiente de trabalho.

Taciara explicou que a mulher vítima de violência passa por um trauma que gera impactos físicos, emocionais e sociais. “Além disso, esta mulher precisa reviver o trauma diversas vezes, o que é muito difícil. Ao prestar depoimento em uma delegacia, ao relatar o que ocorreu a um advogado ou outra pessoa, ela acaba revivendo a situação traumática e passa por um sofrimento psíquico intenso”, afirmou.

Para a psicóloga, o combate à violência de gênero passa, primeiro, por reconhecer a existência deste problema estrutural. A partir daí, é preciso quebrar os ciclos de machismo e misoginia, que estão arraigados, combater a ideia de que assédio ou agressões são apenas elogios ou brincadeiras, rejeitar a culpabilização da vítima e construir redes de apoio.

 

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