COE Itaú questiona fechamento de agências e discute plano de saúde e renovação da CCV
12/03/2026
Itaú
A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú se reuniu com o banco, nesta quarta-feira, 11, em São Paulo, para tratar de temas de interesse dos funcionários, como renovação do acordo da Comissão de Conciliação Voluntária (CCV), reajuste do plano de saúde, fechamento de agências e problemas relacionados ao programa de metas GERA.
Para Geane Scatolin, funcionária do Itaú e diretora do Sindicato, que representou a Fetrafi-MG na negociação, "a reunião reforçou nossa cobrança por mais transparência do banco em relação ao plano de saúde e aos reajustes que impactam trabalhadores da ativa e aposentados. Também denunciamos o fechamento acelerado de agências, que prejudica bancários, sobrecarrega as equipes e reduz o atendimento à população, principalmente os idosos sem acesso aos canais digitais. Defendemos, ainda, o retorno das homologações no Sindicato, para garantir que as rescisões sejam feitas com transparência e que os direitos dos trabalhadores sejam respeitados".
A dirigente reforçou que o movimento sindical permanece firme na mobilização em defesa do emprego, da saúde e da dignidade da categoria bancária.
Veja, abaixo, mais detalhes sobre cada pauta tratada na reunião.
CCV
O acordo da CCV vence em abril e, durante a reunião, a COE solicitou que o banco retome a homologação das rescisões nos sindicatos. Também foi pedida a inclusão, entre os itens analisados pela CCV, da manutenção do plano de saúde para trabalhadores que possuem doenças graves e estejam em tratamento, bem como a preservação das condições da taxa de crédito imobiliário para empregados desligados, como se ainda estivessem na ativa.
Plano de saúde
Outro ponto importante da reunião foi o reajuste do plano de saúde. O Itaú apresentou os índices de aumento, de 9,8% para a Fundação Itaú e 10,37% para beneficiários da Unimed, alegando crescimento da sinistralidade. A COE contestou os valores considerados abusivos, especialmente no caso dos aposentados, e criticaram a cobrança sem limite de coparticipação no plano dos trabalhadores da ativa. Também foi cobrada a correção do valor de reembolso, considerado defasado há anos.
A COE solicitou, ainda, que o banco apresente os números reais dos gastos com o plano de saúde, para que seja possível compreender os motivos do reajuste nas mensalidades, e reivindicou a realização de uma mesa específica para discutir o tema.
Fechamento de agências
Durante o encontro, o banco apresentou dados sobre o fechamento de agências: 250 unidades foram encerradas em 2025 e outras 188 deverão ser fechadas até maio de 2026. Os representantes da categoria criticaram a falta de critérios claros e alertaram para o impacto social da medida, especialmente para cidades menores e aposentados.
Outro ponto levantado foi a situação dos trabalhadores das agências receptoras, que passam a lidar com aumento da demanda sem a estrutura adequada e com metas consideradas desproporcionais à nova realidade.
O banco afirmou estar passando por mudança no modelo de atendimento e que estudos estão sendo realizados para definir novos formatos de relacionamento com os clientes. Segundo o Itaú, os clientes têm participado de pesquisas e haverá a criação de um segmento específico voltado para aposentados. A instituição também informou que 75% dos trabalhadores impactados pelos fechamentos foram realocados em 2025.
Segundo a coordenadora da COE Itaú, Valeska Pincovai, o movimento sindical continuará acompanhando de perto as mudanças. “Estamos discutindo temas que afetam diretamente a vida dos trabalhadores e dos clientes. O fechamento de agências precisa ter critérios claros e responsabilidade social, porque muitas cidades estão ficando sem atendimento presencial. Também cobramos mais transparência nos números do plano de saúde e soluções para os problemas enfrentados pelos bancários no dia a dia das agências”, afirmou.
GERA
A COE apresentou uma série de questionamentos relacionados ao GERA, como penalizações indevidas em casos de reclamações consideradas improcedentes, dificuldades no acompanhamento das metas, falhas na ferramenta “Fale com o GERA” e cobranças consideradas desproporcionais nas agências.
A representação dos funcionários apontou problemas na remuneração variável, que está congelada, há mais de dez anos, apesar do aumento das metas e da complexidade das funções. Foram também relatadas inconsistências na pontuação das vendas e conflitos entre vendas realizadas nas agências e as registradas pelo aplicativo.
Foram cobradas, ainda, questões relacionadas ao programa Smart Pró, incluindo problemas nos critérios de avaliação, atrasos na implantação das ferramentas necessárias para o acompanhamento das metas e dificuldades operacionais.
O Itaú afirmou que as demandas serão analisadas e respondidas na próxima reunião, ainda a ser agendada.
Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT