O cenário se repetiu nesta segunda-feira, 11, na agência Alípio de Melo do Itaú, em Belo Horizonte, com fila que se estende para fora do banco, clientes expostos ao sol e tempo de espera que ultrapassa horas. A causa é a mesma de sempre: fechamento de agências e demissão de funcionários, sem qualquer reforço na estrutura das unidades que permanecem abertas.
A agência Alípio de Melo virou um retrato da postura do banco nos últimos anos. Com menos colegas para atender, os poucos bancários que ficam acumulam funções. Além do atendimento ao cliente, são obrigados a vender produtos como seguros, cartões e empréstimos. O resultado é atendimento mais lento e sobrecarga física e mental.
“E a pressão por metas continua sendo o ponto mais crítico. Se o funcionário não bate, vem o famigerado feedback periódico. Na prática, é cobrança individualizada, assédio e ameaça velada de desligamento. Tudo isso em um ambiente onde o cliente que busca atendimento presencial nem sempre está interessado em contratar produto. E com a demora, o humor piora, a recusa aumenta e o ciclo de pressão só se intensifica”, destacou Marselha Lisboa, funcionária do Itaú e dirigente da Fetrafi-MG.
Enquanto isso, clientes que precisam de serviços básicos esperam do lado de fora da agência sob o calor, em condições desumanas. A insatisfação é geral e a relação entre bancário e usuário se deteriora por algo que não é culpa de nenhum dos dois.
Lucro acima de pessoas
O Itaú segue celebrando resultados bilionários e se mantendo como o maior banco privado da América Latina. Mas a conta dessa lucratividade é paga pelos trabalhadores e pela população. As condições de trabalho são precárias e o atendimento ao público, desumano. O Sindicato repudia essa prática e exige que o banco realoque os funcionários das agências que estão sendo encerradas, ao invés de demiti-los. Não é aceitável que um banco com lucros recordes trate seus empregados como descartáveis e seus clientes como números.
Seguimos acompanhando a situação da agência e orientamos os trabalhadores a denunciarem o assédio por metas e as condições de trabalho ao sindicato. A luta por dignidade no trabalho e respeito ao cliente continua.