Campanha Nacional no BB: movimento sindical reivindica concursos públicos e valorização dos funcionários

08/07/2026

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Campanha Nacional no BB: movimento sindical reivindica concursos públicos e valorização dos funcionários

A Comissão de Empresa das Funcionárias e dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB) se reuniu com os representantes do banco, nesta quarta-feira, 8, na primeira rodada de negociações da Campanha Nacional 2026. A principal pauta do encontro foi a defesa do emprego.

"O BB precisa ter o foco no funcionário, no cliente e no fortalecimento da sua responsabilidade como banco público. O papel do banco público não é o de ser um banco meramente de mercado, que busca somente o lucro, mas que está presente em todas as regiões e cidades do interior, estimula o desenvolvimento, a partir da ampliação do acesso ao crédito que fortalece a produção e reduz as desigualdades", resumiu a coordenadora da CEBB, Fernanda Lopes.

Matheus Fraiha, diretor do Sindicato que participa das negociações, é preciso que o Banco do Brasil valorize quem faz o banco acontecer todos os dias. “O BB tem que reforçar as equipes por meio de concurso público, combater a sobrecarga de trabalho, garantir direitos e investir em um atendimento de qualidade, assim como no desenvolvimento do país”, destacou.

O movimento sindical reforçou que existe um movimento de mudanças estruturais que estão descaracterizando a função pública do BB, com poucos funcionários em agências, agregação de prefixos e aumento de correspondentes bancários.

Abertura de concursos públicos

Diante desse quadro, a categoria reforçou a reivindicação pela abertura de concursos públicos, para garantir a qualidade do atendimento presencial e humanizado aos clientes e pela saúde mental da categoria que está adoecendo.

Os membros da CEBB destacaram que estão registrando, em todas as bases, agências em que clientes aguardam até mais de uma hora, por conta da insuficiência de funcionários. E reforçaram que a saída é a recomposição do corpo de funcionários via concurso público, com a garantia de que a população de regiões menos assistidas continue sendo assistida.

Segurança bancária

As mudanças estruturais, com prefíxos sendo integrados e transformação de agências em lojas, estão resultando na retirada de mecanismos de segurança que antes eram tradicionais dos bancos: as portas giratórias e vigilantes.

"Defendemos a manutenção das portas giratórias e da vigilância em todos os tipos de unidades, sejam agências, lojas ou unidades de atendimento. Ainda que em algumas dessas unidades não se trabalhe mais com o numerário (dinheiro físico), os funcionários e funcionárias estão sendo expostos às situações de violência", destacou Fernanda Lopes.

Escala 4x3

A CEBB defendeu a escala 5x2 para todos os funcionários e, ainda, que há espaço para a 4x3 (quatro dias de trabalho para três dias de descanso), respeitando a jornada diária de 6h. Os trabalhadores argumentaram que a redução de jornada pode aumentar a produtividade dos funcionários, com mais qualidade de vida, e que as novas tecnologias permitem as mudanças sem comprometer o atendimento.

Incorporação das comissões

Os sindicatos reivindicaram a "incorporação das comissões", portanto o direito dos trabalhadores de manterem os valores da gratificação de função (comissão), mesmo se o funcionário perder ou deixar o cargo de confiança.

Os membros da CEBB querem, ainda, que esse direito seja acompanhado da regra dos 10% a cada ano, ou seja, que uma fração de 10% da comissão seja incorporada à remuneração do funcionário a cada ano, até somar 100%. "Esse, aliás, é um critério de estabilidade financeira muito comum em disputas trabalhistas", pontuou Fernanda Lopes.

Acúmulo e desvio de funções

O movimento sindical denunciou que, em algumas bases, estão sendo registrados trabalhadores realizando atividades que não são relacionados às suas funções de registro. Entre os exemplos, estão gerentes de serviços que acabam acumulando funções administrativas e negociais. E, ainda, de escriturários que acabam tendo que fechar e abrir caixas, sem o direito de receberem o adicional da função de caixa.

O banco respondeu que irá apurar os casos levados à mesa.

Pessoas com Deficiência (PCDs)

O movimento sindical reivindicou que o banco derrube o limite de idade de filhos PCDs que necessitam de suporte. O abono previsto no ACT, atualmente, é para pais de PCDs de até 14 anos. A reivindicação inclui o pedido de jornada de trabalho reduzida aos funcionários que possuem como dependentes pessoas com deficiência, principalmente com deficiência intelectual, conforme art. 98 da Lei 8112/1990.

Reembolso de conselhos profissionais

A categoria reivindica que o banco devolva o valor integral da anuidade paga por funcionários ligados às entidades regulamentadoras de profissões, a exemplo da OAB, CREA, CRM e CRP.

Agenda das próximas negociações:

  • 17/07 – Igualdade de oportunidades, endividamento e monitoramento
  • 23/07 – Saúde e condições de trabalho
  • 31/07 – Remuneração e cláusulas econômicas

Manifesto em defesa do BB público

Antes de apresentarem as reivindicações, a CEBB iniciou o encontro entregando à representação da empresa um manifesto em defesa do Banco do Brasil como banco público e necessário para o desenvolvimento de todas as regiões do país. 

A seguir, o manifesto na íntegra:

Em defesa do Banco do Brasil, de suas funcionárias e funcionários e do desenvolvimento do Brasil

O Banco do Brasil não é apenas uma instituição financeira. É parte da história do Brasil.

Há mais de duzentos anos, o Banco do Brasil acompanha o crescimento do país, atravessa crises, participa das grandes transformações nacionais e ajuda a construir oportunidades onde o mercado, sozinho, jamais chegou. Sua existência se confunde com a própria construção do Estado brasileiro.

É justamente por conhecer essa história que afirmamos: o Banco do Brasil precisa retomar, com ainda mais força, o protagonismo de sua função pública e social.

O Brasil precisa de um Banco do Brasil que seja muito mais do que um banco lucrativo. Precisa de um banco que seja instrumento da política econômica nacional, capaz de estimular o desenvolvimento, ampliar o acesso ao crédito, fortalecer a produção, reduzir desigualdades e impulsionar a geração de emprego e renda.

Ao longo de sua história, o Banco do Brasil sempre cumpriu esse papel.

Foi parceiro do agricultor, do comerciante, da indústria, do pequeno empreendedor e dos municípios brasileiros. Foi o banco que levou desenvolvimento para onde nenhum outro quis chegar.

E continua sendo.

Quando se fala em agronegócio, é impossível ignorar a importância do Banco do Brasil. Se o agro costuma dizer que carrega o PIB nas costas, é justo lembrar que, há décadas, é o Banco do Brasil quem carrega o agro no colo, financiando safras, investimentos e garantindo crédito em todas as regiões do país.

Mas a missão do Banco do Brasil vai muito além disso.

Queremos um banco que continue apoiando o agronegócio, mas que volte a colocar a agricultura familiar no centro de sua atuação. São milhões de pequenos produtores responsáveis por grande parte dos alimentos que chegam diariamente à mesa dos brasileiros. Apoiar a agricultura familiar significa fortalecer a segurança alimentar, promover desenvolvimento regional e manter vivas milhares de pequenas comunidades espalhadas pelo país.

Queremos também um Banco do Brasil que amplie sua atuação junto aos micro, pequenos e médios empreendedores, oferecendo crédito acessível para quem produz, gera empregos e movimenta a economia real.

Queremos um Banco do Brasil capaz de impulsionar novamente a indústria nacional, oferecendo condições de financiamento tão competitivas quanto aquelas disponibilizadas ao setor agropecuário. O fortalecimento da indústria significa mais inovação, maior agregação de valor, empregos qualificados e desenvolvimento sustentável para o país.

É exatamente essa capacidade de utilizar o crédito como instrumento de desenvolvimento que diferencia um banco público de uma instituição preocupada exclusivamente com o lucro de curto prazo.

Da mesma forma, queremos um Banco do Brasil presente onde a população precisa dele.

Um banco que continue chegando às pequenas cidades, aos distritos, às comunidades rurais e às regiões mais distantes do país. Um banco que compreenda que sua capilaridade não representa um custo, mas uma das maiores riquezas construídas ao longo de mais de dois séculos de história.

Em centenas de municípios brasileiros, a agência do Banco do Brasil continua sendo muito mais do que um ponto de atendimento. É onde aposentados recebem seus benefícios, agricultores contratam crédito, pequenos empresários investem em seus negócios, servidores recebem seus salários e famílias inteiras têm acesso ao sistema financeiro.

Nenhuma inovação tecnológica pode substituir completamente essa presença onde ela continua sendo indispensável.

Mas existe um patrimônio ainda mais importante do que toda essa estrutura.

São as pessoas.

Nenhum resultado histórico, nenhum lucro bilionário e nenhuma transformação tecnológica teriam sido possíveis sem o compromisso, a dedicação e a competência das funcionárias e dos funcionários do Banco do Brasil.

Se o Banco do Brasil chega aos seus duzentos anos como uma das instituições mais respeitadas do país, isso não aconteceu por acaso.

Aconteceu porque, durante grande parte de sua história, o Banco do Brasil também foi referência na forma de tratar seus trabalhadores.

Queremos recuperar esse compromisso.

Queremos um Banco do Brasil que respeite seus funcionários, que valorize sua experiência, que reconheça seu trabalho e compreenda que cuidar das pessoas não é despesa: é investimento.

Queremos condições dignas de trabalho.

Queremos a recomposição do quadro de pessoal.

Queremos o fortalecimento da rede de atendimento.

Queremos o combate efetivo ao assédio moral e a todas as formas de violência no ambiente de trabalho.

Queremos salários compatíveis com a importância da categoria.

Queremos gestão responsável da saúde física e mental das trabalhadoras e trabalhadores.

Queremos uma CASSI fortalecida e políticas permanentes de promoção da saúde para as famílias que fazem o Banco do Brasil acontecer todos os dias.

Modernizar o banco é necessário.

Mas modernizar jamais poderá significar enfraquecer sua função pública, reduzir direitos, fechar agências indiscriminadamente, sobrecarregar equipes ou transformar seus trabalhadores em meros indicadores de desempenho.

O Banco do Brasil que queremos é moderno, eficiente e inovador.

Mas é, acima de tudo, público.

É um banco comprometido com o desenvolvimento nacional, com o fortalecimento da economia, com a inclusão financeira e com a redução das desigualdades.

É o Banco do Brasil que o povo brasileiro aprendeu a respeitar ao longo de mais de duzentos anos.

Nesta mesa de negociação reafirmamos uma convicção simples.

Defender os funcionários é defender o Banco do Brasil.

Defender o papel público do Banco do Brasil é defender o desenvolvimento do Brasil.

Porque o Banco do Brasil que queremos para os próximos duzentos anos é o mesmo que fez sua história: um banco público, presente, forte, humano, comprometido com o país e que trate suas trabalhadoras e trabalhadores com o respeito, a dignidade e o reconhecimento que sempre mereceram.
 

Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB)

Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT)

 


Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

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