Falta de funcionários e desmonte das agências do BB comprometem atendimento

11/08/2026

Banco do Brasil
Falta de funcionários e desmonte das agências do BB comprometem atendimento

A falta de funcionários denunciada pelo Sindicato em agências do Banco do Brasil faz parte da realidade de Belo Horizonte e de diversas cidades de Minas Gerais. Unidades funcionam com equipes insuficientes, funcionários acumulam tarefas e clientes enfrentam filas e dificuldades para conseguir atendimento, enquanto a rede física do banco é progressivamente reduzida.

Em dezembro de 2025, o Sindicato já alertava que o déficit de pessoal havia se tornado um problema estrutural na rede de varejo do BB em Belo Horizonte e região. Quando trabalhadores entram de férias ou se afastam por motivos de saúde, muitas agências passam a operar em contingência, sem reposição adequada. O resultado é demora no atendimento, acúmulo de funções, cobrança por metas e sobrecarga para quem permanece trabalhando.

Um dos casos mais emblemáticos é o da Agência Tamoios, no Centro de BH. Em maio, o Sindicato realizou um ato para denunciar a centralização dos caixas, a falta de funcionários e o processo de fechamento da unidade. O atendimento presencial deixou de ser realizado naquele espaço, enquanto funcionários e carteiras foram deslocados. Mesmo diante dos fatos, o banco classificou a denúncia como “fake” e alegou apenas uma “realocação”. Para a população, porém, a realidade é objetiva: onde antes havia uma agência, agora existem menos estrutura e menos atendimento.

O problema se espalha por unidades como Padre Eustáquio, Goitacazes e Gutierrez. Manter uma porta aberta não significa oferecer condições adequadas de funcionamento: uma agência pode continuar formalmente ativa e, ao mesmo tempo, contar com poucos funcionários para uma demanda muito superior à capacidade da equipe. No interior, o impacto é ainda maior. Em Santa Bárbara, após denúncia do Sindicato sobre condições inadequadas durante uma obra que se arrastava havia meses, o BB suspendeu o trabalho presencial e autorizou o trabalho remoto dos funcionários.

“O Banco do Brasil costuma apresentar a transformação digital como justificativa para reduzir sua estrutura física. A tecnologia, entretanto, não elimina a procura pelo atendimento humano. Pessoas idosas, pequenos empresários, agricultores, trabalhadores e clientes com dificuldade de acesso aos canais digitais continuam dependendo das agências. Ao centralizar caixas, converter unidades em estruturas digitais e concentrar os serviços em poucos locais, o banco não elimina a demanda: apenas a transfere para equipes cada vez menores”, destacou Matheus Fraiha, funcionário do BB e diretor do Sindicato.

Nas negociações da Campanha Nacional, a Comissão de Empresa dos Funcionários (CEBB) voltou a cobrar concursos públicos, recomposição das equipes, combate à sobrecarga e melhoria do atendimento. Como banco público, o BB possui uma responsabilidade que vai além da obtenção de lucro. Concurso público já!

 

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