Congresso dominado por empresários favorece os mais ricos e dificulta avanços trabalhistas
05/01/2026
Notícias
Por Ramon Peres, presidente do Sindicato
O Congresso Nacional, composto por deputados federais e senadores, é uma esfera importantíssima da política brasileira, pois é nele que são tomadas as principais decisões que afetam diretamente o Brasil e a vida da população. No entanto, o Congresso atual é formado, majoritariamente, por empresários e fazendeiros, o que faz com que os interesses das classes mais ricas prevaleçam em detrimento das demandas dos trabalhadores.
No Congresso, são discutidas e aprovadas as leis que afetam diretamente o dia a dia da população, como direitos trabalhistas, orçamento e gastos públicos, questões relacionadas à saúde e educação, entre outros. Deputados e senadores propõem projetos, analisam as propostas e votam as mudanças que passam a valer em todo o país.
O problema é que dos 594 parlamentares que compõem o Congresso Nacional atualmente, 273 são empresários e 160 fazendeiros. Isso ajuda a explicar por que muitas decisões tomadas ali não priorizam os interesses dos trabalhadores. Pelo contrário, propostas que reduzem direitos e ampliam a precarização do trabalho acabam encontrando mais espaço. Essa situação fica evidente em debates como o da taxação dos super-ricos, onde a resistência de deputados e senadores revela um conflito de interesses, já que muitos seriam diretamente impactados por esse tipo de mudança.
Além disso, a falta de parlamentares verdadeiramente comprometidos com os interesses dos trabalhadores impede o avanço de pautas fundamentais, como o fim da escala 6x1. Isso ocorre porque a aprovação de uma lei exige apoio da maioria dos deputados e senadores, além de tramitação e votações nas comissões, na Câmara dos Deputados e no Senado. Sem a aprovação da maioria, projetos apresentados por parlamentares alinhados aos trabalhadores acabam sendo barrados, mesmo quando atendem a demandas urgentes da sociedade.
O cenário se agrava ainda mais com o enfraquecimento dos sindicatos ao longo dos últimos anos, intensificado pelo fim da ultratividade dos acordos coletivos, o que reduziu significativamente a capacidade de mobilização das entidades sindicais. Ao mesmo tempo, o Congresso aprovou diversas medidas que precarizaram o trabalho, como o avanço das terceirizações e da pejotização.
Por isso, nas eleições de 2026 para deputados e senadores, é fundamental que tenhamos isso em mente. Devemos eleger candidatos preparados e que estejam realmente compromissadas em representar as trabalhadoras e os trabalhadores. Só assim conseguiremos avançar em pautas como a justiça tributária, que corrija distorções históricas, promova a distribuição de renda e fortaleça as políticas públicas essenciais à população.