Reestruturação do BB: o que está por trás do discurso de "oportunidades"?
29/01/2026
Banco do Brasil
O Banco do Brasil divulgou, nesta semana, um amplo plano de reestruturação de cargos, funções e da rede de atendimento, apresentado como um movimento de modernização, especialização e criação de oportunidades. No entanto, uma análise cuidadosa do material oficial revela riscos concretos aos direitos, à estabilidade e à saúde dos trabalhadores.
Segundo Rogério Tavares, Secretário Geral do Sindicato e representante do funcionalismo na CEBB, apesar da retórica otimista, as mudanças admitem a geração de excessos de pessoal, com previsão expressa de remoções compulsórias no interesse do serviço caso o quadro não seja ajustado dentro das regras impostas pelo banco. "Na prática, o que se apresenta como “voluntário” pode se transformar em obrigação, com impactos diretos na vida pessoal e familiar dos funcionários".
Redução da presença física do BB e arbitrariedades nas realocações
O redimensionamento das agências é justificado pela queda no atendimento presencial, mas desconsidera o aumento da complexidade do trabalho, da pressão por metas, da multicanalidade e da sobrecarga operacional. Além disso, a transformação de agências em unidades digitais ou especializadas reduz a presença do BB nos municípios, enfraquece o atendimento à população e descaracteriza o papel social do Banco do Brasil.
"Em caso de excesso, quando mais de um funcionário disputar a mesma vaga, a decisão ficará nas mãos do gestor com poder de alçada. Não há critério objetivo, não há controle social, não há participação sindical. Isso, infelizmente, abre espaço para favorecimentos, perseguições e injustiças, num ambiente já marcado por adoecimento e insegurança. O banco fala em transparência, mas pratica autoritarismo interno", alertou Rogério.
O plano amplia exigências de certificações, especializações e desempenho, mas não garante estabilidade nem proteção real da renda. A chamada Vantagem de Caráter Pessoal (VCP) é temporária, pois não incorpora direitos. Na prática, o trabalhador perde função, perde perspectiva e passa a conviver com o medo permanente do próximo corte.
"Nenhuma reestruturação pode ser feita às custas da saúde, da renda e da dignidade dos bancários. O BB só alcança os resultados que a direção tanto exalta porque são os trabalhadores e trabalhadoras que os constroem diariamente", destacou Matheus Fraiha, diretor do Sindicato.
O Sindicato estará vigilante com mais esta reestruturação imposta sem negociação com os representantes dos trabalhadores. Rogério Tavares avalia que "não se trata de modernização, mas de precarização; tampouco de oportunidade, mas de imposição. Não é gestão eficiente, e sim mais um ataque aos funcionários do Banco do Brasil".