Número cada vez maior de casos de afastamento por transtornos mentais reflete gestão que só pensa no lucro

30/01/2026

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Número cada vez maior de casos de afastamento por transtornos mentais reflete gestão que só pensa no lucro

Por Ramon Peres, presidente do Sindicato

O crescimento dos casos de transtornos mentais, como depressão, ansiedade e síndrome de Burnout, tem se consolidado como uma preocupação crescente no mercado de trabalho nos últimos anos. Em 2025, mais de 540 mil trabalhadores foram afastados pelo INSS em função do adoecimento mental, de acordo com dados do Ministério da Previdência Social. Os números são extremamente preocupantes e exigem medidas urgentes. 

Infelizmente, a categoria bancária é uma das mais afetadas pelos transtornos mentais, sendo duramente impactada pela cobrança excessiva de metas, sobrecarga de trabalho e assédio moral. Dados do INSS, compilados pela plataforma Smartlab, mostraram que gerentes e escriturários ocupam o segundo e o terceiro lugar, respectivamente, no ranking de profissionais com mais pedidos de afastamento por adoecimento mental entre 2012 e 2024. 

Diante deste cenário de adoecimento, o Ministério do Trabalho e Emprego implementou mudanças em relação à Norma Regulamentadora (NR ) 1, adicionando os riscos psicossociais como fatores que devem ser identificados e prevenidos pelos empregadores. As mudanças preveem a capacitação de gestores e equipes para identificar precocemente sinais de adoecimento, além da promoção de uma cultura organizacional mais acolhedora e comprometida com a saúde mental. No entanto, especialistas em segurança e medicina do trabalho têm alertado sobre a ausência de determinações específicas sobre o que as empresas devem mudar, abrindo margem para interpretações vagas e para a manutenção de práticas insuficientes. 

A situação escancara um problema que já enfrentamos há anos nos bancos: o distanciamento entre o discurso e prática. Em suas campanhas publicitárias, os bancos comumente destacam sua preocupação com o futuro e com o bem-estar da população. Entretanto, esta narrativa não se traduz no dia a dia de trabalho, de modo que as bancárias e os bancários são cada vez mais expostos a situações de estresse e assédio moral. 

Os modelos atuais de gestão adotados pelos bancos têm o lucro como objetivo central, tratando os trabalhadores como meros instrumentos de produção. Mesmo diante do avanço do debate sobre saúde mental nos últimos anos, o mundo corporativo ainda insiste em desumanizar os trabalhadores, desconsiderando que eles são pessoas com limites físicos e emocionais. Nesse contexto, surgem relatos preocupantes de gestores que buscam profissionais considerados “antifrágeis”, ou seja, pessoas supostamente capazes de suportar jornadas exaustivas sem adoecer. Essa lógica é desumanizante e transfere para o trabalhador a responsabilidade pelo adoecimento.

Para que haja uma redução efetiva dos casos de adoecimento mental, é essencial que haja uma mudança estrutural nos modelos de gestão, colocando a humanidade no centro das organizações. O Sindicato luta diariamente por essas transformações e seguirá cobrando que os bancos valorizem o trabalho de cada bancária e de cada bancário.

Denuncie! Diante de qualquer situação de desrespeito por parte dos bancos, utilize o nosso canal Fale Conosco. Para casos de assédio moral, denuncie utilizando o canal exclusivo (clique aqui).

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