Fechamento de agências e sobrecarga dominam pauta de reunião com o Santander

13/05/2026

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Fechamento de agências e sobrecarga dominam pauta de reunião com o Santander

A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander se reuniu com a direção do banco, nesta quarta-feira, 13, em São Paulo, para discutir novamente os impactos do fechamento acelerado de agências e o aumento da sobrecarga de trabalho. A representação dos trabalhadores denunciou que a rede física já opera no limite e não comporta novos cortes, com concentração de clientes, crescimento das filas e aumento da pressão sobre funcionárias e funcionários.

A coordenadora da COE Santander, Ana Marta Lima, afirmou que a situação atingiu nível crítico. “O fechamento de agências está impactando trabalhadores e clientes. Há casos de longas filas de espera para serviços essenciais”, destacou ao lembrar que os efeitos atingem principalmente idosos, moradores de periferias, áreas rurais e a população de baixa renda, mais dependentes do atendimento presencial.

Ana Marta também apontou impactos diretos nas avaliações de desempenho. “Mesmo quando o atendimento é adequado, as longas filas influenciam negativamente o NPS — indicador utilizado pelo banco para medir a satisfação do cliente — contribuindo para o adoecimento da categoria, que já registra índice de afastamentos pelo INSS três vezes superior à média nacional”, disse.

Fechamentos avançam rapidamente

As demonstrações financeiras do próprio Santander indicam o encerramento de 575 unidades entre agências e pontos de atendimento em 2025 (-26%). No primeiro trimestre de 2026, foram fechadas 73 unidades. Desde 2019, o Santander encerrou 2.018 postos de atendimento, sendo 1460 agências. Atualmente, restam 868 agências e 754 PABs segundo dados do banco.

Para a secretária de Relações Internacionais da Contraf-CUT, Rita Berlofa, há uma contradição na estratégia do banco. “O Santander diz que acredita nas agências físicas, mas afirma que poderá fechá-las sempre que considerar necessário”, criticou.

Metas, NPS e Programa Conduta Certa entram na pauta

O modelo de gestão também foi alvo de críticas. A representação dos funcionários cobrou transparência sobre o Programa Conduta Certa e apontou que mudanças vêm sendo implementadas sem diálogo prévio, deixando trabalhadores expostos a avaliações consideradas punitivas. O Santander, por sua vez, informou que fará uma apresentação específica sobre o tema no próximo dia 20.

Outro questionamento foi sobre o uso do NPS, já que o indicador pode impactar diretamente a remuneração variável. Os sindicatos reivindicaram que o índice não seja utilizado para esse fim.

Contrato para “hipersuficientes” preocupa trabalhadores

A pauta da reunião também teve como tema o envio de um comunicado de “Atualização do Contrato de Trabalho” a empregados classificados pelo banco como “hipersuficientes”, com remuneração superior a dois tetos do Regime Geral de Previdência Social e diploma de nível superior.

“Insistimos para que esses acordos sejam anulados e não voltem a existir, pois contrariam o que foi pactuado entre a Fenaban e o Comando Nacional dos Bancários, que prevê a não utilização da lei que permite acordos individuais. Hoje, o banco descumpre esse compromisso e, no futuro, qual outro deixará de cumprir? Isso gera muita insegurança para todos os trabalhadores”, alertou Rita Berlofa.

Ana Marta Lima reforçou a orientação da COE, de que “os trabalhadores não devem assinar o termo e devem denunciar ao Sindicato qualquer tipo de pressão. O documento pode abrir precedentes perigosos para a retirada de direitos”, afirmou.

O banco se comprometeu a suspender a aplicação desses acordos até a conclusão de uma análise jurídica sobre o processo.

 

 

Fonte: Sindicato dos Bancários de BH e Região com Contraf-CUT

 

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